domingo, 1 de outubro de 2017

Votar é um dever de todo o cidadão.

Para exigir primeiro é preciso cumprir.

VOTE VAI VER QUE NÃO DÓI NADA

por Tiago Dias, em 30.09.17
A crónica dominical está de volta desta vez no sábado que precede as eleições autárquicas.
 
 
A democracia é esta coisa que existe no papel da constituição dos homens e que consagra o desejado poder.
Desde a Grécia antiga aos Senados de Roma o hemiciclo da capital envolve dentro da sua égide a história e as batalhas
contra uns e outros tiranos comandantes do rumo de milhões.
É importante o pluralismo. A oposição mesmo não estando no poder deve servir as ideias que se querem diferentes para
que do debate surjam mais que manchetes; mais do que bate bocas demagógicos sem fundamento de progresso.
Portugal do pluralismo é uma república jovem nascida das cinzas da mão de ferro. Por ter ultrapassado a mão de ferro
de outrora de partido único é imperativa a participação nas urnas. O século vinte e um cheio de tecnologias e falsas
lisonjas sociais tem de ser a hora que marque a participação activa naquilo que afinal é directa ou indirectamente
uma causa sempre próxima. Devemos isso aos mártires da liberdade, aos avós que fugiram a salto e a medo para sonhar
um maior Portugal. Devemos isso ao orgulho por vezes escondido de exaltar a bandeira de cidadão nacional.
O poder local é importantíssimo para o desenvolvimento dos lugares e das ruas onde fazemos lar.
A nossa rua é o nosso recanto, o nosso pedacinho de alcatrão em frente a casa, que é a porta aberta para o aconchego
seguro. Pode não ser a nossa cidade mas nem toda a gente faz a vida na metrópole desenvolvida. Ser politicamente
activo não significa fazer parte de um clube de ideias fixas, não significa ser o tipo desprezível que quer tachos
(apesar de os haver) significa querer olhar em frente e cuidar das raízes da terra porque este é afinal o nosso lugar.
Pessoalmente é uma questão de orgulho poder participar do acto eleitoral, não vou dizer que me sinto mais português do que
quem prefere ficar em casa porque não tem opinião sobre os candidatos ou simplesmente não acredita na política,
mas o direito ao voto é uma das pedras basilares da igualdade. Não conta mais o do rico, não conta mais o do
ministro não conta mais o do vizinho que é amigo do presidente. Cada um tem a sua única voz.
É por ser este acto universalmente livre e indolor que tem de ser levado com a seriedade da consciência de poder
fazer a diferença. A abstenção não é uma arma de combate á corrupção, tão pouco o dom sebastião da mudança do paradigma.
É somente a letargia sufocante do caminho comodista.
Por isso amanhã vai votar. São dez minutos do dia que mostram a tua voz. Nem que seja nulo, nem que seja em branco.
No fim do dia não dói nada.
 
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